domingo, 19 de julho de 2009

Afinal, o que o mestre Buda ensinou?

Antes de conhecer o Budismo como o conheço hoje, também me perguntava, afinal o que o Buda realmente ensinou. Eu sabia que ele era um grande mestre que havia ensinado uma filosofia que pregava o desapego, a transitoriedade da realidade e a paz de espírito. Mas não sabia, contudo, em que bases se firmavam esse ensinamento.

Buda, após sua Iluminação realizou seu primeiro ensinamento em um evento chamado "Sermão de Benares". Lá, ele discorreu sobre a natureza transitória do sofrimento, sintetizando-a na formação de 4 ensinamentos interdependentes que foram chamados por ele de As quatro nobres verdades".

Eles são assim, no meu entendimento.

1 - O sofrimento é real, muito real. O mundo e o coração humanos são caracterizados por profundos sofrimentos. Há terriveis diferenças no mundo, e em todos os lugares há dor, morte, indiferença, intolerância e medo. O mestre ensinou que o sofrimento é algo real e PRESENTE em tudo o que existe.
Poxa, que realidade dolorosa. O sofrimento é real. Ele existe e condiciona as nossas existências a uma profunda tristeza. Acho que perceber e finalmente constatar isso é algo muito pessimista, muito derrotista. Mas é o contrário, pois..
2 - O sofrimento tem causas... causas palpáveis. Ele está enraizado de forma essencial nas causas dele mesmo. Ou seja, todo evento que conduz ao sofrimento, levará por consequência a este sofrimento. Parece algo lógico como 2 + 2, mas é esse simplicidade que torna este ensinamento especial. É assim, nada mais além das causas do sofrimento leva ao sofrimento. O que leva à felicidade não pode levar ao sofrimento e vice-versa.
O mais interessante é que o mestre não só falou da relação causa-efeito do sofrimento, mas falou destas causas. E a maior delas é o apego e o egoísmo. Sofremos devido à loucura e a cegueira com que nos entregamos a aspectos da vida que são mutáveis. Seja aquele relacionamento doentio, seja aquele trabalho que suga a saúde... a ânsia de ganhar dinheiro. A obsessão por algo, por alguém, por ser algo, por possuir algo. No fim das contas é nosso egoísmo o que nos impulsiona de encontro ao sofrimento. Mas não é fatalista, porque...
3 - As causas do sofrimento podem ser extinguidas, e então o sofrimento pode cessar. Simples, bem simples. Se você treinar sua mente através da meditação, através da atenção plena, através da prática constante da compaixão, você se livra das correntes abomináveis do sofrimento. É um trabalho extremamente positivo, prazeiroso, do dia-a-dia, onde vamos observando que cada vez menos estamos sofrendo. Nos descobrimos mais leves, mais sorridentes, mais dispostos a fazer com que os outros deixem também, de sofrer. Mas conforme diz a primeira nobre verdade, o sofrimento é real e presente, e temos que trabalhar incessantemente, a todo momento, para não permitir que ele nos domine, que finque raizes em nós...
No filme "O pequeno Buda", Buda diz à sua própria mente, que tentou removê-lo do caminho da iluminação "Arquiteto, nunca mais construirá sua casa em mim novamente". é incrivel, Buda chama seu egoísmo, seu medo, seu desespero de "Arquiteto", aquele que constrói as paredes que impedem a luz de entrar. O sofrimento pode ir embora, para sempre, e podemos ser felizes para sempre porque existe uma trilha, um caminho, uma maneira dele ser vencido...
4 - A síntese do caminho é algo simples, que vemos em todas as religiões como eixo central de conduta. Antes de dizer, um ponto importante do Budismo é que não existe dissociação do que você pensa do que você faz. Então, a força central que leva à iluminação pode ser descrita nesse dizer "Pratiquem o bem, sejam compassivos... Evitem o mal e busquem o fim de todo o sofrimento... mantenham puras as suas mentes." Esse caminho descrito na Quarta nobre verdade é um caminho óctuplo, de oito específicas maneiras de agir e pensar que são capazes de purificar a mente e garantir a felicidade. Sim, porque depois que o sofrimento, o medo, a ilusão e o desespero desaparecem de nossas mentes, tudo o que sobra é a felicidade, e ela vai preenchendo as lacunas, tornando toda e qualquer experiencia mais importante, mais especial, mais cheia de amor e significado. E isto, meus amigos, é o nirvana. O estado mental mais evoluído e perfeito da natureza da existência. E ele é o mais simples estado da existência. O mais simples...

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